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InVivo fecha a compra da mineira Total e sinaliza que fará mais aquisições no país

12.11 | Notícias
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Jornal Valor Econômico
Luiz Henrique Mendes
De São Paulo
 
Principal executivo global da área de nutrição e saúde animal do grupo francês InVivo, Hubert de Roquefeuil acabara de encerrar uma reunião de negócios no Itaim Bibi, em São Paulo, e mal conseguia conter o entusiasmo. “Há poucos minutos, o Brasil se transformou no país mais importante para nós”, afirmou ao Valor na terça-feira, logo após sacramentar a aquisição da mineira Total Alimentos — a segunda maior da história do grupo InVivo em todo o mundo.
 
O entusiasmo era tanto que Roquefeuil até se esqueceu de um “detalhe”. “Eu sempre me esqueço da França, a nossa pátria mãe”, continuou ele, retificando a fala inicial. De fato, a compra da Total Alimentos fez o Brasil ultrapassar o México e se tornar o segundo mais importante para a área de nutrição e saúde animal da InVivo, que faturou US$ 1,9 bilhão no ano-fiscal 2013/14, que se encerrou em junho. Ao todo, o grupo francês, que também atua como trading agrícola e tem uma rede de revendas na França, faturou US$ 8,2 bilhões.
 
Controlada por um grupo de mais de 200 cooperativas agrícolas francesas, a InVivo, que era mais conhecida como Evialis até o ano passado, intensificou suas atividades no Brasil a partir de 2007, com a aquisição da matogrossense Zoofort. De lá para cá, vieram mais três grandes compras, incluindo a aquisição dos ativos de nutrição animal que a Cargill controlava no Brasil. Com a Total, a InVivo retoma a agressiva estratégia de aquisições e já vislumbra novos negócios.
 
De acordo com Roquefeuil, a Total elevará o faturamento da InVivo no Brasil para R$ 1,2 bilhão, ante os cerca de R$ 700 milhões do último ano-fiscal. O executivo não quis revelar o valor da aquisição, mas uma fonte do setor afirmou ao Valor que, considerando os múltiplos usuais do segmento de nutrição animal — de 7 a 10 vezes o Ebitda — , a InVivo deve ter pago entre R$ 300 milhões e R$ 400 milhões para adquirir a Total Alimentos.
 
Com sede no município de Três Corações (MG), a Total é uma das maiores produtoras de ração para animais de companhia do país, como cães e gatos. Além disso, a empresa também produz ração para o gado leiteiro. De acordo com o presidente da InVivo no Brasil, Nilton Perez, a Total tem capacidade de produção de mais de 400 mil toneladas de ração por ano. Com isso, a InVivo passará a ter uma capacidade de 1,5 milhão de toneladas.
 
Do ponto de vista global, Roquefeuil afirma que a aquisição da Total é a primeira de outras tantas que devem ocorrer no segmento de nutrição animal ainda este ano. Atualmente, diz, a InVivo está negociando a compra de outras cinco empresas, na Indonésia, França e América do Sul. “Estamos muito próximos de assinar na Indonésia e as conversas estão no meio do caminho na França”, revela o executivo. O Brasil também será palco de novos negócios, garante. “Estamos iniciando as conversas”, afirma.
 
Para financiar todas essas aquisições, a InVivo contará com recursos de um aumento de capital da divisão de nutrição e saúde animal e também vai contrair dívida. Segundo Roquefeuil, a empresa pretende levantar € 400 milhões com as duas medidas. No caso do aumento de capital, que deve ficar entre € 200 milhões e € 250 milhões, a InVivo ampliará a participação de bancos e fundos no capital da divisão para 40% — hoje, essa fatia é de 25%. A expectativa do executivo é concluir o aumento de capital em janeiro de 2015.
 
No Brasil, o desafio da expansão da InVivo também é uma tentativa de reduzir a dependência das vendas de produtos para gado de corte e leite, que representa mais de 40% do faturamento da empresa. Embora a Total também produza ração para gado leiteiro, a aquisição da empresa já contempla a estratégia, afirma Perez, presidente da InVivo no país. Segundo ele, a aquisição da Total eleva a participação do setor de animais de companhia no faturamento da empresa de 2% para 20%. “No Brasil, estamos tentando achar o equilíbrio dos nossos negócios”, explica ele.
 
Diante disso, Perez admite que comprar empresas na área de ruminantes não será a prioridade. O executivo não revela detalhes, mas uma das apostas da InVivo no Brasil é o setor de aquicultura, com a produção de ração para tilápia e camarão. Hoje, esse segmento responde por 25% da receita no país. Além das aquisições, a InVivo prossegue com a sua estratégia, anunciada no ano passado, de investir R$ 100 milhões até 2016 em crescimento orgânico. A empresa já investiu um terço desse total.

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